Quinta-feira, Setembro 03, 2009

Expirar ... inspirar ...

Expiro o ar
Supondo ser a alma.
Nesse gesto efémero
Emprego a fúria de uma vida

Há dias assim ...

Há dias assim,
Simples peso de um grão
Destrói montanhas e
Obras gigantescas dos homens.
Eles tombam por todos os lados
Mas insistem em levantar-se
Erguendo o corpo a cada novo dia
Contra a inevitável
Leveza da poeira
Que trespassa vidas.

Quinta-feira, Agosto 27, 2009

Sea Organ

Lamúrias cacofónicas por

Velho conhecido de Ulisses

Sopram por entre pedras

Moldados pelo homem

Tal como um órgão desafinado

Nas mãos de uma criança.

(Zadar, 2009)

Quarta-feira, Julho 22, 2009

Tiro fotos de momentos

fingindo não esquecer

esquecendo que finjo.

Terça-feira, Julho 21, 2009

Apago fotos

De pessoas tristes

Para mais tarde

Nas memórias dos tempos

Eles me mintam de como foram sempre felizes....

Segunda-feira, Junho 22, 2009

Olhos

Pisava restos

De um sol

Raiado a verde.

Ela,

A estrela Sol,

Ignorava-me,

Queimando caprichosamente

A fina camada de mármore.

Descuidada lágrima caiu,

Escaldante pavimento encontrou,

Estilhaçando-a em mil e umas partículas.

Os restos,

Não evaporados instantaneamente,

Espalharam-se aos meus pés,

Despertando o seu interesse.

Senti uma sombra castanha,

Saboreando as gotas salgadas,

Transformadas em pequenas nuvens.

Depois, um arrepio

Junto à orelha

Igual a um sussuro:

‘Vens ou não?’.

Quarta-feira, Janeiro 07, 2009

MARCA PASSO

Pressente-se que ele passa,
Não por existir,
Pois não tem respiração
Ou bater de coração.

É no pesar da carne
Dores logo pela manhã
Vontade de estar sempre a descansar,
Nem que seja por breves momentos,
Aquela parte do corpo
Que nunca mais deixa de estar irrequieta.

Cravado na pele,
Sulca progressivamente a pele,
Com a arte de um carpinteiro tosco.

Sente-se, logo nos primeiros segundos antes mesmo de acordar,
Necessidade de café fresquinho,
Pouca horas depois de ter encerrado os olhos,
Cada vez mais curtas são as noites,
As conversas, bocas alheias, ouvidos atentos,
Julgamos outra vez os outros, antes de termos tido a oportunidade de falhar,
E não haver retorno...

Afinal há coisas que não se podem mudar,
Nós ... os outros,
O insuportável afinal é suportável,
Tal como a falta de ar,
Depois de uma corrida e nos chamarem velhos...

Terça-feira, Agosto 26, 2008

Porque continuam cá entalados
Dentro do meu próprio cérebro
Aquilo que me leva para bem longe?
Viajo através dele,
É o meu veículo preferido,
Aumento o som
Abano o tronco, as pernas,
Cadência definida pelos pés,
Pensamentos acelerados,
Turbilhão de imagens e ideias.
Tenho 30 anos e sinto que podia ter 20.
Contenho em mim todos os sonhos do mundo,
Apesar da desolação da vida,
Movida sob batuta alheia.
Continuo a querer lutar
Buscar e sentir.
Outra vezes aquela energia,
Aquele força que derruba muralhas,
Só com um mísero sopro.

Subitamente tudo desaparece,
Procuro desesperadamente o botão,
Encontro-o e escuto a mesma música sem fim.
Porque é que deveria acabar?
Esta inquietude, desejos, sonhos, vontades...
Diziam que eram sonhos de adolescência
Mas afinal era tudo mentira,
Eles também os tinham.
Meninos e meninas,
Tapem os ouvidos e os olhos,
Estão destinados a crescer e a viver,
Errar, destruir, aprender e repetir,
Continuarás assim para o resto da tua vida,
Não te enganes,
Serás sempre imperfeito,
Cheio de sonhos,
Daqueles que não cabem num só mundo
Mas que podes encontrar dentro da música certa.
Agora cala-te, coloca uns phones e aumenta o som até te sentires a rebentar.